Diaconos com Tomate

Uma salada (bem portuguesa) de teorias, ironias, reflexões e indignações...com muito humor à mistura...

8/19/2006

Sabedoria popular?

Passeava o grande Manel, borrachão iluminado, pela noite fria de Outono quando ao longe reparou numa “mini” empoleirada no muro do ribeiro. Que nem “gato a bofe”, atira-se na sua direcção, pois como ele diz “não há duas sem três” e a que tinha na mão…já era a segunda (não da noite, mas da hora)!
Tropeçando nos atacadores, agarrando-se ao ar nocturno, tombou ele a “mini” do muro, e de seguida, vazou a “mini” da mão…
Ao longe ouviu o Zé da Tasca armado em tanso: “Quem tudo quer tudo perde!”, mas Manel, sábio das orelhas, arrepiou o bigode e dando voz ao etanol arrebimbou-lhe logo com um: “Quem não arrisca não petisca oh palhaço!!!”

Pois é…este pequeno conto para dizer o quê? Que a sabedoria popular é uma treta! Mas uma treta que tem como propósito alegrar o pessoal em dias turvos (quem sabe no dia a seguir à noite de “vinha d’alho”).

Toda a gente já reparou que para cada provérbio, há outro que o contradiz…é sempre assim…não há volta a dar…

Olha o exemplo do nosso amigo Manel e do grande Zé da Tasca…

Mais, há outros que não fazem sentido nenhum…quem no seu perfeito juízo prefere ter um pássaro na mão do que dois a voar? Um pássaro na mão é bicho para dar uma bicada ou duas e mesmo quem sabe dar liberdade ao seu fluxo intestinal…ora, com isto da gripe das aves ainda um gajo se constipa…

Ah! E se estiverem dois pássaros a voar…sempre é mais fácil para caçar do que se só estiver um…digo eu que me dedico à pesca…

Mas para além dos provérbios, há também as expressões tipicamente tugas:
“isto ‘tá aqui ‘tá a rebentar”…quer dizer…inventarem isto lá para os lados do médio oriente…ainda vá que não vá…agora…em Portugal?
E que dizer do “enquanto o Diabo esfrega um olho”, isso é o quê? 2 segundos, meia hora? É que se for um cisco dos grandes é capaz de ser demorado…
Olha, uma vizinha minha também lhe entrou uma coisa para o olho e passado 9 meses teve um rapaz…será caso para dizer “enquanto a vizinha esfrega um olho”? É que não me parece que o marido vá acreditar nisso quando o puto vier meio “bronzeado”…

Ah, e o outro quando diz: « Mas que grande "Chico Esperto" armado em carapau de corrida...», outra expressão que não faz sentido nenhum…primeiro nem todos os Chicos são espertos (tirando o Balsemão que felizmente nem tem problemas em pagar um cafezito aos amigos) e depois (e deixem-me usar esta magnífica ferramenta chamada [Caps Lock] muito útil para demonstrar desagrado):

QUEM RAIO É QUE FAZ CORRIDAS DE CARAPAUS???

É que para alguém se armar (outra…armar sem armas…sinceramente) em carapau de corrida tem que haver quem faça corridas de carapaus…o que não deve ser muito emotivo…claro que quem disser destas coisas está sujeito a um “ Ai que já me está a chegar a mostarda ao nariz”…outra expressão tipicamente portuguesa, não imagino um “franciú” empolgar um “Oh la la, déjà m'est en train d'arriver moutarde au nez” (já é dificil ver um francês a fazer ameaças…então a dizer destas coisas...só o Obélix...e não era mostarda...era javalis)

Mas bem já demonstrei onde queria chegar…não confiem nesses ditados tolos e evitem coisas em público como “oh meu amigo, é já aqui preto no branco”…imaginem só…preto…no branco…logo ali...no mínimo, escandaloso…

P.S: E depois ainda me vem o Camões dizer que “amor é fogo que arde sem se ver”…com a quantidade de incêndios florestais que lavram pelo país…ou anda muito amor no ar, ou Portugal é mesmo um país latino…CALIENTE, OLÉ!!!!

Mas que raio se passa com esta juventude, hein???

Desculpem o título, mas realmente: que raio se passa com esta juventude???

Estava eu sentadinho num alegre jantar em família (escusam de perguntar porque não vos vou dizer que estava numa marisqueira), quando um rapazito dos seus 5 anos, que há muito rondava a mesa, pára mesmo ao meu lado e ergue triunfante um singelo livro ao mesmo tempo que exclama: NODDY!!!

É que, se ainda ninguém reparou, os putos andam todos malucos por um gajo de calções azuis, camisola vermelha e carro amarelo! Pois, carro amarelo! Será que já se esqueceram do que aconteceu à última pessoa que apareceu de casaco vermelho na televisão? Ah pois, tribunal com ele num processo que se arrasta há uns anitos! E aquele nariz vermelho? Álcool, claro indicio de álcool…e se o nariz não chegar…já se questionaram porque é que ele está sempre a rir? Drogas…muitas drogas…ainda querem que os vossos filhos sigam o exemplo deste “simpático moço”?

Mais! Além do Noddy (“com o guizo nos cornos a tocar” como canta o saudoso Jaimão) é a “Floribela” e os “Moranguitos”…mas que raio? Florezinhas e sobremesas? Onde está a Rua Sésamo da minha infância??? Os Onda Choque??? O avô cantigas??? A Bota Botilde e os Jogos Sem Fronteiras meus amigos??! É isto que vai endireitar o meu país quando eu já estiver na reforma (pelo andar da carruagem daqui a 80 e poucos anos)?

Vá lá, crianças inocentes sim, educação para atrasados mentais não!!! (vejam um só episódio das famosas “Pistas da Blu” só para terem uma ideia daquilo a que eu me refiro)

As crianças estão cada vez menos ingénuas e mais conscientes do que as rodeia…tenham isso em mente…

portem-se bem ;)

8/03/2006

O Milagres Dos Mexilhões

Portugal é um grande país, se não grande em terra, grande em mar - temos uma imensa linha costeira que economicamente é (ou devia ser) uma mina de ouro.

Ora, estava eu atento a observar as alegres veraneantes que se passeavam pelas quentes areias de uma praia lusitana…não comecem, é tudo uma questão de civismo…nunca se sabe quando uma jovem sueca se ressente do pouco habitual calor da época e lhe dá um fainico que a leva a desmaiar do alto dos seus verdes olhos… (ora, habilitado a prestar socorro pela CVP, não posso deixar que uma turista regresse ao seu país com má impressão do socorrismo português, bolas!)

Mas estava eu nesse cumprimento do dever quando à minha frente um verdadeiro milagre aconteceu!

Passo a explicar:

Do meu posto avistei uma pequena família, ar tipicamente português (lancheira de 30 litros, 2 guarda-sois, 3 bolas de futebol, rádio a pilhas, churrasqueira e balde de tremoços)...mas com certos “tiques”, expressões pautadas por uma vã tentativa de parecer “superior” e “distinto”...
Recorri à memória e lembrei-me imediatamente…emigrantes! Mas não daqueles emigrantes que abandonaram famílias em busca de melhor sustento, não! Falo de uma pequena percentagem dos filhos desses dignos exemplos que posteriormente se estabeleceram em França e que à viva força querem ser “franceses” (não me censurem, nunca gostei desse povo).

Logo a seguir a se estabeleceram no local (a cerca de 5cm da toalha mais próxima) deslocam-se até ao mar acompanhados pelo suave “Oh mon Dieu, que jolie matin”…é então que, vindo do nada, o milagre acontece: à medida que o pé efectua um singular movimento de vai-vem em contacto com a cristalina água atlântica, o fluente francês transfigura-se e uma “jolie matin” dá lugar a um “f**a-se que esta m*rda tá fria!”

Como lagarta em borboleta, um “champenhi” é purificado, regressando às suas origens!

E o que é que eu pensei logo:

- Bem, está aqui um negócio, upa upa! Se há quem pague 500€ por uma sessão naquelas igrejas brasileiras (sim, aquelas do «sai êspíritu demoníacô!») por que não para ver isto? E nem quero tudo para mim, basta-me uns 20% o resto era para combater o tão aclamado «deficit»…agora venham-me dizer como o outro – “ainda bem que aqui só à sardinha pá! Deixa-te disso…”

Pois…fica a sugestão…ou em americano “Sou…der eís de sojéston”


NOTA: Este texto de opinião não pretende de forma alguma atingir um gesto tão digno de respeito como a emigração. Tenho conhecimento próprio destas situações e sei que não é fácil nem uma decisão tomada de ânimo leve. Este texto (e como foi referido ao longo do mesmo) destina-se a criticar uma minoria que, na minha opinião, não é um modelo para a sociedade (defendo que um modelo social, ao existir, deve ser perfeito como tal, ninguém poderá jamais ter esse papel na sociedade, sendo esse uma projecção pessoal de cada um e daí o carácter pessoal desta intervenção)