E tudo o autoclismo levou...
"No meio desta aldeia global em que cada hora são segundos, onde é que o ser humano encontra tempo para parar, reflectir e quem sabe...filosofar?"
Imediatamente olhei à minha volta. Estava numa divisão pequena, rodeado por mosaicos e pequenos utensílios de cerâmica.
À minha frente, um comum lavatório captava a luz de forma singular nas suas formas curvilíneas. Do lado esquerdo uma banheira branca transpirava limpeza e um estranho perfume a...gel de banho.
Inevitavelmente, do lado direito, um bidé em tudo semelhante ao lavatório mostrava-se disponível para o ritual de purificação das chamadas "partes baixas" (um nome bastante depreciativo, tendo em conta a importância desta região em todo o reino animal) e claro, sob o meu traseiro, uma confortável sanita, também ela a condizer com os restantes apetrechos.
Ai, como estava relaxado...naquele momento não havia pressa, pressão (salvo a necessária para...) ou qualquer outra preocupação que não fosse "será que o papel higiénico vai chegar?".
E assim lá estava, calmamente sentado no meu trono...sim, porque a casa-de-banho em tudo se assemelha ao trono dos grandes reis de outrora! Sentados na opulência, com o ceptro de pontas felpudas (vulgo, piaçaba) pronto a limpar a sociedade da imundice!
Mas não subestimem este momento! Não só permite o relaxamento, como é um vector da cultura! É que quando o ser humano se liberta, um crescente desejo pelo saber desponta dentro dele e até o mais básico dos seres se dedica à leitura:
- -> do jornal "A Bola"
- -> do rótulo do sabão azul,
- -> dos pontinhos do papel higiénico (há quem diga que é um mapa das discotecas lisboetas em Braille),
- -> do caderno económico do DN
- -> da "Maxmen" de Fevereiro passado (atenção pode dificultar a evacuação)
- -> do fantástico artigo sobre as actividades de recreio em fim-de-semana de D.Afonso Henriques (escrito pelo incomparável José Hermano Saraiva)
- -> Resumindo: Tudo o que estiver à mão...
É claro que pontualmente há quem organize o seu dia metódicamente, o que lhe permite despachar certas obrigações neste momento de grande concentração, como por exemplo:
- -> Preencher o IRS
- -> Preparar discursos
- -> Legislar Leis
ou mais recentemente,
- -> Preparar o enunciado dos exames para o Ensino Secundário
Claro que estes são apenas pequenos exemplos, porque existem inúmeros, mas se ainda não está convencido da importância deste momento lembre-se onde estava Arquimedes quando descobriu a correlação entre áreas, comprimentos e volumes? Onde estava Zé Cabra quando criou aquela pérola da música portuguesa? Onde estava George W. Bush quando decidiu atacar o Iraque? Pois claro, na casa-de-banho!!!
Podemos até ir mais longe e verificar que o momento da evacuação pode mesmo ser um momento de oração...quem nunca soltou um "Ai meu Deus" numa situação mais apertada?
Por isso lembrem-se, da próxima vez que se servirem dos sanitários, levem um bloquinho de folhas brancas...
...nunca se sabe quando o papel não chega...

3 Comments:
At 2:05 p.m.,
Anónimo said…
Muito bem conseguido este texto... realmente kuando um estudante nao tem nada mas mesmo nada k fazer anda nestas coisas....:S
um abraço[[]]
At 3:37 p.m.,
Teresa Silva said…
Mas o seu papel nao deve mesmo chegar..sempre ha quem leve o portatil e redija alguns textos pr o blog.. :P "ai meu Deus"*
At 7:31 p.m.,
ana isabel said…
Jovem senhor,
após ter lido este, tão realistico, texto... convido-o a visitar a pagina "escrita criativa" pelo google. Já agora, está um excelente texto, (ou cronica???)... Parabens.
irmã da teresa,
isabel
Enviar um comentário
<< Home