Diaconos com Tomate

Uma salada (bem portuguesa) de teorias, ironias, reflexões e indignações...com muito humor à mistura...

8/03/2006

O Milagres Dos Mexilhões

Portugal é um grande país, se não grande em terra, grande em mar - temos uma imensa linha costeira que economicamente é (ou devia ser) uma mina de ouro.

Ora, estava eu atento a observar as alegres veraneantes que se passeavam pelas quentes areias de uma praia lusitana…não comecem, é tudo uma questão de civismo…nunca se sabe quando uma jovem sueca se ressente do pouco habitual calor da época e lhe dá um fainico que a leva a desmaiar do alto dos seus verdes olhos… (ora, habilitado a prestar socorro pela CVP, não posso deixar que uma turista regresse ao seu país com má impressão do socorrismo português, bolas!)

Mas estava eu nesse cumprimento do dever quando à minha frente um verdadeiro milagre aconteceu!

Passo a explicar:

Do meu posto avistei uma pequena família, ar tipicamente português (lancheira de 30 litros, 2 guarda-sois, 3 bolas de futebol, rádio a pilhas, churrasqueira e balde de tremoços)...mas com certos “tiques”, expressões pautadas por uma vã tentativa de parecer “superior” e “distinto”...
Recorri à memória e lembrei-me imediatamente…emigrantes! Mas não daqueles emigrantes que abandonaram famílias em busca de melhor sustento, não! Falo de uma pequena percentagem dos filhos desses dignos exemplos que posteriormente se estabeleceram em França e que à viva força querem ser “franceses” (não me censurem, nunca gostei desse povo).

Logo a seguir a se estabeleceram no local (a cerca de 5cm da toalha mais próxima) deslocam-se até ao mar acompanhados pelo suave “Oh mon Dieu, que jolie matin”…é então que, vindo do nada, o milagre acontece: à medida que o pé efectua um singular movimento de vai-vem em contacto com a cristalina água atlântica, o fluente francês transfigura-se e uma “jolie matin” dá lugar a um “f**a-se que esta m*rda tá fria!”

Como lagarta em borboleta, um “champenhi” é purificado, regressando às suas origens!

E o que é que eu pensei logo:

- Bem, está aqui um negócio, upa upa! Se há quem pague 500€ por uma sessão naquelas igrejas brasileiras (sim, aquelas do «sai êspíritu demoníacô!») por que não para ver isto? E nem quero tudo para mim, basta-me uns 20% o resto era para combater o tão aclamado «deficit»…agora venham-me dizer como o outro – “ainda bem que aqui só à sardinha pá! Deixa-te disso…”

Pois…fica a sugestão…ou em americano “Sou…der eís de sojéston”


NOTA: Este texto de opinião não pretende de forma alguma atingir um gesto tão digno de respeito como a emigração. Tenho conhecimento próprio destas situações e sei que não é fácil nem uma decisão tomada de ânimo leve. Este texto (e como foi referido ao longo do mesmo) destina-se a criticar uma minoria que, na minha opinião, não é um modelo para a sociedade (defendo que um modelo social, ao existir, deve ser perfeito como tal, ninguém poderá jamais ter esse papel na sociedade, sendo esse uma projecção pessoal de cada um e daí o carácter pessoal desta intervenção)